Reste avec moi, mon amour pur,
car tout n'est que littérature.
(Max Jacobs)
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Friday, June 04, 2010
Friday, January 01, 2010
Wednesday, December 30, 2009
OST
Gosto sempre de encontrar músicas que podiam acompanhar coisas que escrevo ou já escrevi.
Anteontem andei a reler algumas coisas e (re)descobri isto. E ontem descobri a música aqui em baixo. Ora carreguem lá no link e no play...
Monday, December 28, 2009
On Love IV
"Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era para sempre sem saber que «para sempre» sempre acaba?"
(Cassia Eller)
Sunday, December 27, 2009
Friday, October 23, 2009
Saturday, June 27, 2009
On Love II
Pensamento parvo entre um vodka limão, um cigarro, uma tosta mista com tomate e oregãos e uma conversa que não era minha mas que metia amores, desamores e tétris (eu só ouvi a parte do tétris):
O amor é como o tétris. Por muito bem que saibas jogar, há sempre o momento em que rebenta.
Thursday, June 04, 2009
O Amor III
Ando a ter um contacto privilegiado com floristas, o que me tem permitido ler muitas mensagens que constam dos cartões de entrega. Este facto tem-me proporcionado algumas sonoras gargalhadas internas. Todos podemos imaginar o que as pessoas escrevem nestes cartões, mas ter a oportunidade de ler é outra coisa.
Hoje houve um senhor que decidiu enviar flores ao seu amor. Ele descrevia a forma como se conheceram e de como isso se traduziu no dia mais feliz da sua vida, o do casamento. A mensagem terminava no fim. Não no da mensagem porque certamente muito terá ficado por dizer, ou muito foi dito além das últimas palavras. A mensagem terminava no fim deles, no dia do divórcio, no dia mais triste da sua vida. As flores, a mensagem eram uma despedida. O grito silencioso de alguém que ama e que não sabe o que lhe acontecerá depois do "nós".
Hoje houve uma mensagem que me deu uma tremenda vontade de chorar. E depois de correr. Ou de me contrariar e conceder-me o direito a soltar o meu próprio grito silencioso.
Tenho mesmo de te terminar.
Hoje houve um senhor que decidiu enviar flores ao seu amor. Ele descrevia a forma como se conheceram e de como isso se traduziu no dia mais feliz da sua vida, o do casamento. A mensagem terminava no fim. Não no da mensagem porque certamente muito terá ficado por dizer, ou muito foi dito além das últimas palavras. A mensagem terminava no fim deles, no dia do divórcio, no dia mais triste da sua vida. As flores, a mensagem eram uma despedida. O grito silencioso de alguém que ama e que não sabe o que lhe acontecerá depois do "nós".
Hoje houve uma mensagem que me deu uma tremenda vontade de chorar. E depois de correr. Ou de me contrariar e conceder-me o direito a soltar o meu próprio grito silencioso.
Tenho mesmo de te terminar.
Sunday, May 10, 2009
Maybe it will...
Hoje o G. vinha com uma música na cabeça. Protesto para aqui, cantarolava para ali. A música talvez não seja das melhores do mundo, mas gosto do nome: "Love save the Empty". Faz-me sentido. Especialmente porque também eu utilizei essa metáfora do amor equanto tábua de salvação no Technicolor e estava precisamente a trabalhar nessa parte do texto quando o G. me mandou uma mensagem com o nome.
Ah, e faz parte da banda sonora deste filme, sobre o qual ainda hei-de fazer um post...
Ah, e faz parte da banda sonora deste filme, sobre o qual ainda hei-de fazer um post...
Monday, April 27, 2009
O verdadeiro Amor
No Sábado conheci o Diogo. E o Diogo sensibilizou-me. Não é que ele andava a recolher números de telefone para apresentar o amor a uma amiga?
Vejam lá se alguém faz isso por mim!...
Saturday, April 04, 2009
O Amor II
Li aqui e não resisti a ir lá "roubar". Afinal de contas, este é o mesmo senhor que escreveu isto. Vou comprar o livro!
"O amor é fodido. Hei-de acreditar sempre nisto. Onde quer que haja amor, ele acabará, mais tarde ou mais cedo, por ser fodido. É melhor do que morrer. Há coisas, como o álcool e os livros, que continuam boas. A morte é mais aborrecida. Por que é que fodemos o amor? Porque não resistimos. É do mal que nos faz. Parece estar mesmo a pedir. De resto, ninguém suporta viver um amor que não esteja pelo menos parcialmente fodido. Tem de haver escombros. Tem de haver esperança. Tem de haver progresso para pior e desejo de regresso a um tempo mais feliz. Um amor só um bocado fodido pode ser a coisa mais bonita deste mundo."
Miguel Esteves Cardoso in O Amor É Fodido
Thursday, February 26, 2009
Unreasoning...
fico admirado quando alguém, por acaso e quase sempre
sem motivo, me diz que não sabe o que é o amor.
eu sei exactamente o que é o amor. o amor é saber
que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer.
o amor é saber que vamos perdoar tudo a essa parte
de nós que não é nossa. o amor é sermos fracos.
o amor é ter medo e querer morrer.
Wednesday, February 25, 2009
L'amour... III
Meryl Streep - The Winner Takes it All (Mamma Mia)
L'amour... II
De tudo, meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Eu sei que vou te amar / Soneto da Fidelidade - Vinicius de Moraes
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Eu sei que vou te amar / Soneto da Fidelidade - Vinicius de Moraes
Wednesday, February 11, 2009
L'amour...
Être un corps, je suis d'accord! T'offir mes bras, porquoi pas?
Alex Beaupain - J'ai cru entendre
Tuesday, February 14, 2006
O Amor
Já é dia de S. Valentim. Bateram as 12 badaladas e estamos no dia 14 de Fevereiro. Quem me conhece sabe como acho este dia ridículo (agradeço o(s) convite(s) para jantares em grupo e lamento profundamente ter de me fingir de estudante aplicado). No entanto, hoje quando vinha de regresso a lisboa ouvi na rádio este texto sobre o "Amor". Depois de o reler, já em casa, acho-o um texto realmente bonito. Por isso resolvi que a (provavelmente) última capicua deste meu blog devia dar a palavra ao Miguel Esteves Cardoso e a este "Elogio ao Amor". Dedico-o a todos vós.
"Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reunem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam"praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há; estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, banalidades, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reunem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam"praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há; estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, banalidades, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
Elogio ao Amor - Miguel Esteves Cardoso in Expresso (16/09/2006)
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